Patarecas

Patarecas todos os dias, coquetes e sempre com quá quá a dizer/”quaquar” sobre tudo e sobre todas. E… todos! Quack! O resto é conversa… quá quá quá quá quá!

Olhar

Janeiro18

As folhas rosadas no chão. Típicas casas de palha. Ou madeira. Barro. Os rústicos bancos de jardim no bairro pitoresco na vila antiga. As ruas que contam tantas e tantas vezes os mesmos tiques, traços de ninguém e de todos os que ali deambulam. As quebradas árvores que subsistem ao tempo, com apatia e vontade de vergar. E as luzes que vês do escuro, do cantinho recolhido e tímido. Afinal para que queremos o tempo que corrompe os dias de sol e chuva… E afinal de que somos feitos quando espreitamos o que nos escapa… Revemos e relemos as páginas aveludadas do que queremos ver, ao longe. Do cimo. No monte. Há tantas e tantas maneiras de olhar. E só há uma.

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My sweet prince

Novembro17

Pois… com um príncipe destes e um anel deste tamanho no dedo… também eu dizia que sim!
Oh Kate… sua sortuda!
Esperemos que o rapaz, tendo saído à mãe em beleza e bondade (??), não tenha saído ao pai nas escapadelas no casamento.
Só tenho a desejar que sejam muito felizes. E não se esqueçam meninos… quando estiver aí de visita ao Palácio (em breve… muito em breve ;) ) havemos de tomar chá para me entregarem o convite para o evento do ano.
E pronto… se quiserem vir até aqui para a lua-de-mel… pois que venham!
Esqueçam as Maldivas, as Seychelles… ou mesmo Las Vegas…
A única coisa que tenho a dizer é que no próximo ano as viagens aéreas já devem estar mais baratuchas.
Portanto, bora lá! Aqui não há paparazzis! As águas também são quentes! E podem atracar um barquito nas imensas marinas do arquipélago!
Então?!? Contamos connvosco?

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PEC I,II,III…

Setembro29

Determinado, sério, incisivo. José Sócrates concretiza. A doer. A factura é alta e os funcionários públicos vão sofrer uma redução nos salários (acima dos 1500 euros) entre os 3,5 e os 10 por cento, o IVA, que cabe a todos, aumenta (2 por cento), acabam –se os investimentos públicos, as despesas do estado com tudo o que o governo considera supérfluo evaporam…e mais… outras tantas medidas que, diz José Sócrates, são necessárias para que Portugal ultrapasse a crise, a tal crise cristalizada, eterna.

 Ora cá está o governo a dizer que a bem do mundo, leia-se Portugal, é preciso fazer sacrifícios! E, sublinha, vezes sem conta, José Sócrates, que o país precisa de medidas adequadas à situação que vive. Apesar do drama, não consigo evitar uma gargalhada, daquelas que saem sem querer, até porque a “coisa” não está para risotas. Mas ao ouvir o primeiro-ministro e depois Teixeira dos Santos tive uma sensação de Déjà vu. Sempre o mesmo discurso, sempre com o mesmo propósito (a bem de Portugal), sempre as medidas que saem às pinguinhas, sempre os mesmos e sempre a mesma MERDA de condições de vida para os portugueses. Isto CANSA. Ainda esta tarde vi dois automóveis que servem o elenco do executivo, um de um ministro e outro de um secretário de estado. Dois baratinhos Audi 6 de Junho deste ano. Uma migalha, é certo, mas que reflecte bem a mentalidade que impera. Reduzir despesa? É possível e há muitos caminhos, começando por pequenas coisas.

 Mas mesmo para rir: ouvir Almeida Santos dar os parabéns ao governo (outra coisa não seria de esperar) por ter a coragem de aplicar medidas impopulares. Mas pergunto, que coragem??? Será que esta gente mora cá? Vive neste mundo, pequenino e onde se paga para ter um mísero trabalho, mal remunerado e muitas vezes precário? Oh Sr. Almeida Santos não são medidas corajosas, são sim obrigatórias. O governo está com a corda na garganta, sem margem de manobra. Os mercados internacionais pressionam, a oposição aperta, o povo reclama. E cada vez com mais razão. Certo é que quando levamos muita “porrada” e durante muito tempo, acabamos por não sentir quase nada. Mais imposto, menos imposto, a diferença é pouca, e qualquer dia a coisa já nem é notícia. E vamos dizer sempre: há coisas piores.

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Tarrafal

Maio19

Sempre disse que gostava um dia de visitar Auschwitz. Pela história, pelo sofrimento, pela capacidade humana de crueldade… Enfim, por um sem fim de objectivos. E, curiosamente, cada vez que penso nisso sempre penso que será um local de silêncio, reflexão, arrepios e, porque não… sofrimento.
Recentemente tive oportunidade de visitar o Tarrafal, em Cabo Verde. A praia também… mas quero referir-me ao local para onde eram desterrados os opositores do regime. Sim… em Portugal também se torturou, também se mandou inocentes para a prisão. Na “Colónia Penal do Tarrafal”, em Santiago, havia a “frigideira”. Nome apropriado para um cubículo sem janelas e onde eram amontoados os prisioneiros à mercê do abrasador sol de Cabo Verde.
Chamado por muitos “o campo da morte lenta” é uma memória de Portugal que todos deveriam conhecer. Comparado com Auschwitz aquilo era o céu. E Salazar comparado com Hitler era um anjinho. Mas mesmo assim, aconteceu. Morreram portugueses ali. Portugueses que apenas estavam contra as ideias de um homem.
Confesso que assim que entrei por aquele portão, por onde se chega através de uma ponte por cima de um fosso (a lembrar os castelos das princesas) senti um aperto no peito.
Ainda continuo a quere ir a Auschwitz.

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Os premiados

Março8

Melhor filme:

“Estado de guerra”

Melhor realização:

Kathryn Bigelow – “Estado de guerra”

Melhor ator:

Jeff Bridges – “Crazy heart”

Melhor ator secundário:

Christoph Waltz – “Sacanas sem lei”

Melhor atriz:

Sandra Bullock – “Um sonho possível”

Melhor atriz secundária:

Mo´nique – “Precious”

Melhor argumento original:

“Estado de guerra”

Melhor argumento adaptado:

“Precious”

Melhor filme de língua estrangeira:

“El secreto de sus ojos” – Juan Jose Campanella (Argentina)

Melhor filme de animação:

“Up – Altamente” – Peter Docter

Melhor documentário:

“The Cove – A baía da vergonha” – Louie Psihoyos

Melhor documentário em curta-metragem:

“Music by Prudence” – Roger Ross Williams

Melhor curta-metragem:

“The New Tenants” – Joachim Back e Tivi Magnusson

Melhor curta-metragem de animação:

“Logorama” – Nicolas Schmerkin

Melhor direção artística:

“Avatar”

Melhor fotografia:

“Avatar”

Melhor montagem:

“Estado de guerra”

Melhor caracterização:

“Star Trek”

Melhor guarda-roupa:

“The young Victoria”

Melhor banda sonora:

Michael Giachinno – “Up – Altamente”

Melhor canção:

“The waery kind” – (“Crazy Heart”)

Melhor edição de som:

“Estado de Guerra”

Melhores efeitos sonoros:

“Estado de Guerra”

Melhores efeitos especiais:

“Avatar”

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Mais uma noite no sofá

Março7

Melhor Filme
Avatar
The Blind Side
District 9
An Education
The Hurt Locker
Sacanas Sem Lei
Precious
A Serious Man
Up
Nas Nuvens

Actor Principal
Jeff Bridges – Crazy Heart
George Clooney – Nas Nuvens
Colin Firth – A Single Man
Morgan Freeman – Invictus
Jeremy Renner – The Hurt Locker

Actor Secundário
Matt Damon – Invictus
Woody Harrelson – The Messenger
Christopher Plummer – The Last Station
Stanley Tucci – The Lovely Bones
Christoph Waltz – Sacanas Sem Lei

Actriz Principal
Sandra Bullock – The Blind Side
Helen Mirren – The Last Station
Carey Mulligan – An Education
Gabourey Sidibe – Precious
Meryl Streep – Julie & Julia

Actriz Secundária
Penélope Cruz – Nine
Vera Farmiga – Nas Nuvens
Maggie Gyllenhaal – Crazy Heart
Anna Kendrick – Nas Nuvens
Mo’Nique – Precious

Filme de Animação
Coraline
Fantastic Mr. Fox
A Princesa e o Sapo
The Secret of Kells
Up

Melhor Realizador
James Cameron – Avatar
Kathryn Bigelow – The Hurt Locker
Quentin Tarantino – Sacanas Sem Lei
Lee Daniels – Precious
Jason Reitman – Nas Nuvens

Filme Estrangeiro
Ajami – Israel
El Secreto de Sus Ojos – Argentina
The Milk of Sorrow – Peru
Un Prophète – França
The White Ribbon / O Laço Branco – Alemanha

Melhor Banda Sonora
Avatar
Fantastic Mr. Fox
The Hurt Locker
Sherlock Holmes
Up

Melhor Canção
“Almost There”, Randy Newman – A Princesa e o Sapo
“Down In New Orleans”, Randy Newman – A Princesa e o Sapo
“Loin de Paname”, Paris 36
“Take It All”, Nine
“The Weary Kind”, Crazy Heart

Melhor Argumento Adaptado
District 9
An Education
In The Loop
Precious
Nas Nuvens

Melhor Argumento Original
The Hurt Locker
Sacanas Sem Lei
The Messenger
A Serious Man
Up

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A natureza dá, a natureza tira

Março2

Sempre que passeio pelos campos verdejantes desta magnífica ilha… ou sempre que vou de Ponta Delgada às Furnas ou de Ponta Delgada às Sete Cidades, penso sempre que temos muita sorte em ter este verde imenso, por vezes quase intocável pelo homem em alguns locais (ainda. Acho eu!).
Penso sempre que a natureza sabe o que faz… que nos faz pasmar e querer voltar vezes sem conta ao mesmo sítio com árvores, flores ou animais…
Nunca me lembro que aquelas árvores que estão ali, muitas vezes há séculos, podem ser arrancadas pelos ventos violentos ou pela chuva imensa que cai sem piedade e arrasta terras, árvores, flores…
Sempre que estou deitada na areia de uma praia e olho para o azul do mar… penso sempre que conseguia viver com aquela calmaria da imensidão do mar.
Penso sempre que me sinto feliz com o “mar-chão”… calmo… aprazível… simplesmente azul…
Mas nunca me lembro que no Inverno o mar é tudo menos calmo. No Inverno o mar é impiedoso e rouba vidas de pescadores, mergulhadores ou viajantes…
Mas nunca me lembro que a natureza por vezes é cruel!
Que pode tirar vidas, enquanto damos uma gargalhada. Que pode tirar vidas, enquanto vamos na nossa rotina diária e somos abalroados por ela. Que pode tirar vidas, quando não consegue escoar a água que a trespassa…
Depois do autocarro que foi arrastado pela derrocada no Nordeste, há coisas que não me saem da cabeça.
Não consigo deixar de pensar nos tais 40 milhões de metros cúbicos de terra que as obras das SCUT vão tirar do ventre desta ilha. Não consigo deixar de pensar que ao escavar e retirar do sítio tanto “suporte” para árvores, pedras, flores… alguma coisa pode acontecer.
Não consigo deixar de pensar que tanta escavação não pode dar bom resultado… até porque tirar de um sítio onde esteve intocada tantos anos, para colocar num monte junto ao mar… não me parece uma boa solução.
Tenho medo das obras das SCUT… assim como tenho medo (agora) de passar na estrada que vai dar às Furnas… ou para o Nordeste… ou na estrada para as Sete Cidades… cheias de árvores, cheias de morros, de encostas…
Hoje, o meu coração está com os pais daquela menina que  faleceu no acidente do autocarro, e que já foi encontrada. O meu coração está com o irmão, gémeo, dessa menina.
Já ontem esteve com a família do motorista do autocarro.
Cada dia acho que me torno mais egoísta…
Cada dia me apetece apenas viver cada dia…
Cada dia me apetece mais fazer as coisas que me dão prazer…
Cada dia me apetece mais viver o hoje, sem pensar no amanhã…
Cada dia me apetece aproveitar a vida enquanto é tempo…
Cada dia me apetece ser feliz diariamente…
Carpe Diem!

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A festa

Fevereiro25

“Sempre. Dormiram, acordaram, esgotaram-se. Vivem na escuridão, no vácuo. Têm mãos. Respiram sombriamente sobre as mãos. Depois param. Então criam a festa. As forças irrompem do fundo; fazem vacilar o fino e o precário equilíbrio da terra. Para lá da lei abolida, as coisas tornam-se visíveis, com uma intensidade, uma transparência anterior: sinais, vozes, tudo. Como se o mundo inteiro curasse uma ressaca no corpo de cada um, e essa límpida desordem deixasse o coração escorrido. É a festa dos homens.” Herberto Helder

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Não se sabe ao certo. E depois?

Fevereiro20

É possível que a maioria dos portugueses não saiba a que fim se destina exactamente a comissão parlamentar de ética que nos últimos dias tem escutado diversas pessoas a propósito da liberdade de imprensa, pressões, tensões, etc. Mas também é possível que a grande maioria pense que a tal comissão sirva para tentar apurar se afinal houve ou não uma tentativa para controlar alguma comunicação social. Portanto, de um modo global, e sem saber pormenores técnicos, todos sabemos o que deve ser o papel da bendita comissão que é conotada como um género de polícia moral, um juiz que faz a destrinça entre o bem e o mal, uma espécie de lei que regula os bons costumes. Há uma proximidade daquilo que será sem se saber exactamente o que é. Mais ou menos isto. Claro que só de uma forma empírica é que posso afirmar que a maioria não sabe de forma perfeita para que existe este organismo, assumo. Mas afinal, pouco interessa a sapiência popular para o caso. Realço aquilo que considero o mais importante, e que por acaso bate com aquilo que todos esperamos: que seja assegurada a transparência e coerência após estas audições, para que não fique mais uma vez à “mostra” a impunidade moral e o esquecimento.

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A(s) outra(s) face(s)

Fevereiro17

Uma face

Mário Crespo confessou, na comissão parlamentar de ética, que estava a ler (a biografia de Hitler) quando José Leite Pereira, o director do jornal de Notícias, lhe ligou para o questionar sobre o conteúdo da sua crónica semanal, que envolvia o primeiro-ministro José Sócrates. O jornalista da Sic terminou a chamada dizendo “nunca mais falamos”.

A outra face
Parece que não há coincidências. A outra face (o outro lado da face que está à vista) pode encaminhar-nos para dois cenários possíveis: ou daqui a uns dias, e na sequencia das audições a jornalistas, empresários, e outras entidades, de várias espécies e feitios, a história cresce para os lados, o que poderá levar a uma fragilidade tal do primeiro-ministro que o faça tombar, ou então, ser vitima numa sociedade moribunda compensará mais uma vez e lá virá a ideia de cabala novamente acompanhada de memória curta.
Seja qual for o caminho, o certo é que, independentemente de a “outra face” cair no esquecimento, ou não, José Sócrates tem aqui uma oportunidade única para pensar em dois simples clichés. Primeiro, a mentira tem perna curta e segundo ter “poder” é relativo. Coisas que ouvimos desde crianças (não fossem as limitações de memória a trair-nos). Seja como for, não é o fim do mundo, aliás José Sócrates teve a coragem de sem querer trazer à discussão aquilo que há muito deveria ter sido descascado. A liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, as pressões (que sempre existiram) nas redacções, a relação do poder político com a comunicação social, a forma como a opinião pública olha para os jornalistas, enfim uma infinidade de conceitos e pré-conceitos que fazem sentido ser discutidos em antena aberta. Sublinho, que não considero que haja falta de liberdade de expressão em Portugal. Há sim, muita falta de coragem e de preparação para lidar com pressões, para lidar com personalidades duras e extremistas, para lidar com o poder e para lidar com a opinião pública. E a falta de preparação existe nas redacções, existe na política. Assumindo as fragilidades crescemos todos até o “chefe”.

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