Setembro29
Determinado, sério, incisivo. José Sócrates concretiza. A doer. A factura é alta e os funcionários públicos vão sofrer uma redução nos salários (acima dos 1500 euros) entre os 3,5 e os 10 por cento, o IVA, que cabe a todos, aumenta (2 por cento), acabam –se os investimentos públicos, as despesas do estado com tudo o que o governo considera supérfluo evaporam…e mais… outras tantas medidas que, diz José Sócrates, são necessárias para que Portugal ultrapasse a crise, a tal crise cristalizada, eterna.
Ora cá está o governo a dizer que a bem do mundo, leia-se Portugal, é preciso fazer sacrifícios! E, sublinha, vezes sem conta, José Sócrates, que o país precisa de medidas adequadas à situação que vive. Apesar do drama, não consigo evitar uma gargalhada, daquelas que saem sem querer, até porque a “coisa” não está para risotas. Mas ao ouvir o primeiro-ministro e depois Teixeira dos Santos tive uma sensação de Déjà vu. Sempre o mesmo discurso, sempre com o mesmo propósito (a bem de Portugal), sempre as medidas que saem às pinguinhas, sempre os mesmos e sempre a mesma MERDA de condições de vida para os portugueses. Isto CANSA. Ainda esta tarde vi dois automóveis que servem o elenco do executivo, um de um ministro e outro de um secretário de estado. Dois baratinhos Audi 6 de Junho deste ano. Uma migalha, é certo, mas que reflecte bem a mentalidade que impera. Reduzir despesa? É possível e há muitos caminhos, começando por pequenas coisas.
Mas mesmo para rir: ouvir Almeida Santos dar os parabéns ao governo (outra coisa não seria de esperar) por ter a coragem de aplicar medidas impopulares. Mas pergunto, que coragem??? Será que esta gente mora cá? Vive neste mundo, pequenino e onde se paga para ter um mísero trabalho, mal remunerado e muitas vezes precário? Oh Sr. Almeida Santos não são medidas corajosas, são sim obrigatórias. O governo está com a corda na garganta, sem margem de manobra. Os mercados internacionais pressionam, a oposição aperta, o povo reclama. E cada vez com mais razão. Certo é que quando levamos muita “porrada” e durante muito tempo, acabamos por não sentir quase nada. Mais imposto, menos imposto, a diferença é pouca, e qualquer dia a coisa já nem é notícia. E vamos dizer sempre: há coisas piores.