Tarrafal
Sempre disse que gostava um dia de visitar Auschwitz. Pela história, pelo sofrimento, pela capacidade humana de crueldade… Enfim, por um sem fim de objectivos. E, curiosamente, cada vez que penso nisso sempre penso que será um local de silêncio, reflexão, arrepios e, porque não… sofrimento.
Recentemente tive oportunidade de visitar o Tarrafal, em Cabo Verde. A praia também… mas quero referir-me ao local para onde eram desterrados os opositores do regime. Sim… em Portugal também se torturou, também se mandou inocentes para a prisão. Na “Colónia Penal do Tarrafal”, em Santiago, havia a “frigideira”. Nome apropriado para um cubículo sem janelas e onde eram amontoados os prisioneiros à mercê do abrasador sol de Cabo Verde.
Chamado por muitos “o campo da morte lenta” é uma memória de Portugal que todos deveriam conhecer. Comparado com Auschwitz aquilo era o céu. E Salazar comparado com Hitler era um anjinho. Mas mesmo assim, aconteceu. Morreram portugueses ali. Portugueses que apenas estavam contra as ideias de um homem.
Confesso que assim que entrei por aquele portão, por onde se chega através de uma ponte por cima de um fosso (a lembrar os castelos das princesas) senti um aperto no peito.
Ainda continuo a quere ir a Auschwitz.




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