Patarecas todos os dias, coquetes e sempre com quá quá a dizer/”quaquar” sobre tudo e sobre todas. E… todos! Quack! O resto é conversa… quá quá quá quá quá!
Sou uma coração-dependente! Se é que isso existe…
O que quero dizer é que gosto de corações. Seja estampados na roupa… nos sapatos… nos acessórios do cabelo… nos cachecóis… nas malas… nos cadernos onde escrevo os meus devaneios… no cimo de uma caneta… nos brincos… nas malas de viagem… na decoração… em molduras… em post-it cor-de-rosa… em pregadeiras…
Corações pequenos… corações grandes… corações médios… muitos corações… um solitário coraçãozinho…
De várias cores… de uma só cor… sóbrios… espampanantes…
Acho que um simples coração de qualquer cor anima qualquer outfit e qualquer mau humor que haja por aí!
Sou portanto uma romântica inveterada e gosto de corações! Sempre gostei!
Lembro-me perfeitamente de quando era miúda, com 6 a 7 anos, tinha um macacão-calção de ganga com um enorme coração vermelho no peito. Era a minha peça de roupa preferida e cada vez que tinha de ir para lavar era uma choradeira. Cheguei uma vez a ir buscá-lo ao cesto da roupa suja, todo esverdeado de me ajoelhar na relva e afins… e de querer levá-lo para a escola mesmo sujo!
Sempre gostei de corações! Fazem parte de mim!
Por isso quando me deparei com esta clutch lindíssima da Judith Leiber, no net-a-porter… fiquei fascinada!
Claro que depois analisei melhor, especialmente o preço (DOIS MIL DUZENTOS E QUATRO DÓLARES!!!!) achei que não era assim tão gira. Pronto era um coração e tal… mas DEMASIADO CARA para uma coisa que cabe na palma da mão e que não vou usar assim tantas vezes.
No entanto… fiquei a pensar… em ter o coração nas mãos…
Quando andava a mexericar na Parfois… ENCONTREI!!! Igual… parecida, vá!
A um preço bem mais acessível, penso que era entre 20 a 25 euros. Quase que não resisti, mas deixei-a ficar por lá!
Qual não é o meu espanto… quando ao espreitar numa loja de chineses, na Ribeira Grande,… o que é que os meninos-que-nascem-como-cogumelos-na-nossa-cidade tinham exposto?!?
Exactamente uma clutch igual… parecida, vá!
Mas digamos que a um preço bem mais acessível! Estava por 12 euros!! Doze euros!!!
Mesmo assim não comprei. Não gosto que me enganem. Se os chineses conseguem fazer uma coisa daquelas quase igual… (pronto, não deve ser pintada à mão como a “original” mas… faz a mesma vista) duvido que se justifique o preço da “original”! Mas agora não quero! Amuei!
Recebi fotos recentes da minha sobrinha mais nova. É minha sobrinha desde que vi a barriga “média” da mãe. Apaixonei-me por ela quando a barriga da mãe estava quase a explodir. E depois finalmente conheci-a pessoalmente… com nove dias de vida. Tão pequena, frágil e indefesa. Mas já tão coquete, com vestidos fashion e gadgets como acessórios.
Tem os olhos e a cara séria do pai, mas parece-me que o sorriso é da mãe!
Quando vejo estas fotos, de um ser minúsculo mas que me diz tanto e que amo mesmo sem estar presente, fico encantada e enternecida! E sempre com desejo de apanhar um avião e cobri-la de beijos.
Tenho mais duas sobrinhas. Foram as primeiras a ser “adoptadas” por mim. Já eram maiores… Quase que já me conseguiam chamar pelo nome. Mas escolheram usar o “tia”, antes do nome. Fiquei derretida. Ainda hoje fico! E sempre vou ficar!
São as minhas meninas! As minhas primeiras sobrinhas! Aquelas que me mostraram o que é se tia. Basicamente é ter de arcar com as despesas quando é preciso ir ao McDonald’s. A responsável por lhes dar a primeira mini-saia. Aquela que quando viu uma caixa de maquilhagem ajustada à idade delas, comprou. A responsável por lhes oferecer material escolar “da moda”. Quem lhes deixa comer o que querem.
Depois há a sobrinha matulona, que apesar de não ser a mais velha assim parece. Aquela que me faz perguntas até à exaustão, sobre tudo e mais alguma coisa. Aquela que adora ajudar a fazer as sobremesas, mas que depois passa a vida a mergulhar o dedo no chocolate e pede segredo. Aquela que me dá vontade de fazer todas as semanas uma árvores de Natal, para a ter como ajuda. Aquela que descobre a solução ideal para esconder a cabeça partida de um dos camelos do presépio. Aquela que me oferece plaquinhas sobre “amigas” e me diz que é para não me esquecer dela.
Há também o sobrinho mais novo. Que vibra cada vez que se entra lá em casa de saco na mão, a pensar que é um presente para ele. Aquele que não come o pão do lanche todo, mas que se eu prometer levá-lo ao McDonald’s ele promete dar “uma volta” no escorrega e dar uma dentada no hamburguer. Que pede sistematicamente para se fazer o “Spiderman” com ele no tecto (Qual Homer Simpson e o seu Spider Pig!!!).
Há outro sobrinho que está quase a nascer.
Há irmãs “mais novas” que não sendo de sangue, me tratam como tal. Gostam de arranjar as unhas. Gostam de dar dicas de maquilhagem. Gostam de mostrar vídeos fixes do Youtube. Cantam a “música da turma”, que inventaram.
Há tias verdadeiras. Há mães adoptivas. E depois… há amigas verdadeiras. Daquelas que já não se fazem. Daquelas mesmo boas!
Gosto de pessoas verdadeiras!
Porque este fim de semana há o 11º Festival El Açor, no Coliseu Micaelense…
Aqui fica… uma ode à cidade de Ponta Delgada e à vida académica (claro!)…
Apesar do som não ser o melhor do mundo (buááá) aqui fica uma das mais belas música sobre Ponta Delgada e com espírito académico a condizer…
“Longe de ti não sei viver, minha pacata cidade… onde aprendi a crescer, também a sentir saudades”… “dos amores que eu vivi, nesta vida amargurada… nenhum se compara a ti… oh doce Ponta Delgada”
Parabéns aos Tunídeos. E bora lá tudo abanar o capacete ao som das pandeiretas! E já agora alguém que grave esta música com melhor qualidade
Adoro estes dias de solinho bom! Especialmente num dos meus sítios preferidos desta ilha!
Cada vez mais me faz sentido esta música… a letra e esta interpretação a duas vozes é simplesmente fantástica. Toca-me… não sei bem explicar porquê, mas de cada vez que a oiço, quase que me cai uma lágrima ou outra de tanto que esta música me diz!
Para sorrir, é quando do nada nos aparece no colo um envelope com uma encomenda. O nome da remetente é instantaneamente reconhecido e fica-se com “aquilo” nas mãos sem saber o que fazer, sem saber o que é…
Mas quando se abre e se começam a ler as primeiras linhas da improvisada carta (escrita à mão!!! que tem muito mais valor!!!) fica-se com lágrimas nos olhos. Não que houvesse más notícias, mas porque eram boas…
Eram as chamadas “lembranças” que vieram de longe. Que tiveram de andar de avião. Que tiveram de percorrer um enorme caminho para cá chegarem…
Lembranças de quem está longe mas que nunca se esquece.
Lembranças de quem está longe mas que nos aquece o coração mesmo sem saber.
Lembranças de quem parece que adivinha que algo não está bem.
Lembranças de quem é amigo e não faz questão de o apregoar.
Lembranças simplesmente de outros tempos, de outras pessoas, de outros círculos.
Lembranças que nos deixam nostálgicas.
Lembranças que me deixam sem palavras.
Foi um pequeno miminho que chegou fora de horas, sem qualquer ocasião marcada, sem qualquer pretensão, sem qualquer expectativa, mas que chegou no momento certo! Independentemente de ser ou não um excelente e lindo miminho.
Porque há pessoas que nos marcam para toda a vida e ficam connosco mesmo sem estarem presentes fisicamente…
Porque há pessoas que simplesmente têm connosco uma ligação que não se separa com o Oceano Atlântico…
Porque simplesmente há amigos e AMIGOS VERDADEIROS…
Porque simplesmente parece que é tão fácil pôr-me a chorar…
* Obrigada linda