Setembro5
Ainda me lembro da minha primeira viagem sozinha! Não foi propriamente sozinha, mas sem supervisão de um adulto. Foi no meu último ano de liceu e foi uma espécie de “prémio de consolação” por não, afinal, não haver viagem de finalistas para ninguém! E foram as nossas “springbreak”!
Eu era muito “certinha”, muito “ai-meu-Deus-se-alguém-descobre”, muito acobardada, enfim tinha “cagufa” que alguém descobrisse. Mas a minha melhor amiga dos tempos de liceu, a S., estava decidida. Íamos passar 4 dias para Braga!
Íamos dizer aos nossos pais que íamos a uma viagem de estudo, ou a uma coisa qualquer da escola, e íamos ficar 4 dias inteirinhos sem supervisão! A “curtir a vida”!
Na altura a internet era coisa que não se via e muito menos andar com essa coisa no telemóvel (que na altura era para receber e fazer chamadas, que nem as SMS estavam na moda!). Portanto decidimos partir à descoberta de Braga sem quase sabermos onde ficava aquela que era a “cidade mais jovem de Portugal” (e que nem sei se continua a ser ainda), nem sequer pensarmos que nos poderia acontecer algo de grave, nem sequer pensarmos o que havia para fazer em Braga!
A S., sempre muito desenrascada (Graças a Deus!), lá orientou uma estratégia para contarmos aos pais. Eu iria com ela e com os pais e irmão passar uns dias a Braga e ela iria comigo, com os meus pais e irmão passar uns dias a Braga! (O que agora penso que foi uma tolice porque os nossos pais conheciam-se e bastava encontrarem-se um dia por acaso e o plano magnífico teria ido por água abaixo! Mas com 15/16 anos uma pessoa quer é curtir a vida e nem sequer pensa nisso! E foi uma estupidez porque podia ter acontecido algo de grave a duas miúdas sozinhas numa cidade estranha!)
Tudo pensado e arquitectado lá fomos comprar o bilhete de autocarro e seguimos viagem!
Não me lembro quanto tempo demorou a viagem, só me lembro que foram risinhos e gargalhadas e piadas e expectativas e tudo o mais, durante o tempo todo que andámos no autocarro. Ficámos na Pousada da Juventude, que o dinheiro era curto até para uma residencial!
Andámos a passear, a tentar conhecer a cidade, a perguntar informações e localizações a quem passava… conhecemos moços universitários que (na nossa inocência) achámos “lindos de morrer” mas com quem não seguimos para beber um copo. Enfim, apesar de tudo até fomos bem “certinhas” e comedidas!
Mas nunca me hei-de esquecer de um bar onde fomos (sem supervisão de um adulto) e que me marcou até hoje. (Volto a lembrar que era muito “certinha”, muito “ai-meu-Deus-se-alguém-descobre”, muito acobardada, enfim tinha “cagufa” que alguém descobrisse).
A minha amiga S. tinha ouvido alguém dizer que alguém tinha dito que havia um bar muito fashion e “in” em Braga e que tinhamos de visitar! Andámos por ruelas e por ruazinhas estreitas com pouca iluminação, mas lá descobrimos o sítio. O “sardinha biba”! Nem sei se ainda existe ou não. Lembrou-me que achei aquilo espectacular, muito fashion e cheio de gente gira! Mas o que mais me marcou, foram as projecções nas paredes.
Ali, no “sardinha biba” em Braga, eu e a S., sozinhas sem supervisão de um adulto, estávamos a olhar para a parede e a ficar um pouco envergonhadas e coradas e a desatar a rir às gargalhadas. É que estavam a passar fotografias eróticas nas paredes!
Assim que aquilo começou, pensámos seriamente que estaríamos no lugar errado e num sítio pouco apropriado a meninas de 15/16 anos! Mas depois, achámos normal! Tinha grente “normal” ali, portanto seria seguro! Ainda me lembro do quanto nos rimos à conta daquelas projecções e de pensarmos que realmente só quem faz viagens sem adultos é que pode assistir àquele “espectáculo”! E rimos mais um bocado, e dançámos bastante e voltámos a rir mais ainda… como se não houvesse amanhã!
Nunca bebemos em demasia, nunca nos deixámos ser enganadas por ninguém, nunca fizémos nada que não tivéssemos feito se tivessemos alguma supervisão parental! Apenas nos divertimos… e andámos no “eléctrico” que faz a subida à igreja do Bom Jesus… e andámos de baloiço nos parques infantis da cidade… e tirámos milhentas fotografias… e aproveitámos ao máximo aqueles dias!
Depois foi hora de voltar e regressámos sãs e salvas, mas a pensar que teríamos de repetir! Sem dúvida!
Nunca repetimos…
Hoje sonhei com esta viagem… hoje lembrei-me da S. mal acordei… hoje lembrei-me do quanto fomos felizes sem supervisão… hoje lembrei-me que adoro viajar… hoje decidi viajar… hoje decidi viajar sem supervisão…
Está decidido! Para mim viajar faz bem. Faz bem à alma, faz bem ao corpo, faz bem à mente!
Agora já temos Google Maps, e GPS nos telemóveis, e Tripadvisor também nos telemóveis, e já não corremos o risco de nos perdermos.
Portanto, “somewhere over the rainbow” here I go!