Escutas (bem ou mal)???
Eis algumas das frases que merecem (ou não) alguma reflexão:
Em comunicado, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro lembra que “ sempre defendeu a necessidade de haver mais controlo na realização das escutas em Portugal”.
Perguntas:
Sempre defendeu? Desde quando? E o que o leva a defender semelhante coisa? Suspeita de escutas em Portugal? Onde? E, já agora, se sempre defendeu, o que fez para que se tornasse uma realidade a investigação? O PGR já admitiu em tempos que estaria a ser alvo de escutas. E ficou impávido???
Presidente da Republica
“ Depois das eleições eu não deixarei de tentar obter mais informações sobre questões de segurança”
Cavaco Silva reforça a ideia de forma mais ajustada:
“ Deixemos passar as eleições e depois eu tentarei normalmente de uma forma discreta, como costumo fazer, tentarei obter informações sobre questões da segurança.”
Questionado sobre se a história saiu de Belém, Cavaco Silva responde: “Minha senhora, a senhora não é ingénua e eu também não.”
Declarações que denotam preocupação sobre a matéria em causa. Cavaco Silva deixou escapar que normalmente é discreto na tentativa de apurar questões sensíveis como a que está em causa. Mas será que a discrição se coaduna com a transparência? Ainda que discreto (como normalmente diz que é) o Presidente da República deixa escapar que não é ingénuo e abre caminho para a interpretação subjectiva. Indo pelo senso comum a resposta de Cavaco Silva dá a entender que a história não partiu de Belém e que sim o governo de José Sócrates meteu o dedo onde não devia. Ainda que seja esta uma mera interpretação, dada a falta de objectividade na resposta de Cavaco Silva, é plausível. Deixar esta possibilidade pairar é que não parece saudável em tempo de campanha eleitoral. Aliás é o próprio que diz que “o presidente da república não se deixa atrair para lutas político-partidárias, isso pertence aos partidos políticos, e portanto, façam aquilo que fizerem, nunca me trarão para essa área.” Pois, está à vista…
Director do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informação da República Portuguesa
Marques Júnior considera que quem tem poder para investigar este caso é o Ministério Público mas ainda assim não deixa de dizer que “à mínima coisa que justifique uma acção, nós actuaremos”.
Perguntas:
Então o SIRP não tem competência para apurar os factos mas à “mínima coisa” actuará…Mas que “coisa” é essa? Convinha explicar que tipo de situações é que justificam a actuação deste conselho, convém também esclarecer afinal qual é a função do organismo. Digo eu…
Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa
Júlio Pereira em declarações ao DN esclarece que “é absolutamente falso que os Serviços de Informação efectuem escutas ou qualquer outro tipo de intercepção de comunicações “ e, mais, garante que nem sequer “ dispõem desse equipamento, já que tal actividade não é permitida por lei”.
Mais nada! Aqui está uma declaração responsável e objectiva. Quem fala assim…
Presidente não executivo da SONAE (grupo que detém o jornal Público)
Belmiro de Azevedo deixou um recado ao jornal Publico para que a redacção “não se deixe assustar por opiniões um bocado desastradas de alguns governantes que querem mandar no Publico sem por lá dinheiro forte”.
Perguntas:
A que governantes se refere?
Afinal para quem diz que não se mete nas questões editoriais do jornal está muito bem informado, até sabe que há políticos que querem meter o bedelho onde não podem (ou não devem).
A comunicação social como cada vez mais é evidente é uma fábrica de conservas, um negócio que ou dá lucro (custe o que custar) ou não existe.
Belmiro de Azevedo deixa ainda um segundo desejo para o jornal Público “que passe a ganhar dinheiro…” Ora nem mais…isso é que interessa, o dinheirinho faz muita falta e o jornal que o diga.
Por último…
Director do Público
José Manuel Fernandes em declarações à SIC Noticias “ é preciso deixar claro que a notícia é falsa”. Mais à frente diz “o e-mail tem 17 meses, estava apagado em todos os computadores, só existia num computador e foi reenviado poucas horas antes de aparecer nas redacções”.
Ou fiz confusão ou a notícia (que José Manuel Fernandes diz que é falsa) do DN é a existência do e- mail? Primeiro, o director do jornal Público nega a veracidade na noticia (o e-mail) depois fala do e-mail (a suposta noticia) dizendo que não percebe como é que ele (o e-mail) foi reenviado para outras redacções. Só porque pode ter (ou não) interesse perceber quem mente no meio de tudo isto… José Manuel Fernandes poderia ter sido mais incisivo. Mas facilmente se perceberá que as conclusões, essas, ficarão eternamente para depois das eleições, as que vêem e as que virão…
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